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Veranópolis, sexta-feira, dia 21 de Julho de 2017
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EDITORIAL

Imigrantes e sofredores

Muito se v√™ na m√≠dia not√≠cias sobre imigrantes que deixam seus pa√≠ses em busca de um porto seguro. Principalmente, migram devido √† viol√™ncia das guerras que envolvem disputas de territ√≥rios e de poder, e estes constantes deslocamentos aumentam a vulnerabilidade da popula√ß√£o, que perde as condi√ß√Ķes de trabalhar sua terra, de cuidar dos animais que usam para consumo pr√≥prio, levando-os a depender de ajuda para sobreviver. Tomemos o Sud√£o do Sul como um dos exemplos, onde milh√Ķes de pessoas vivem sob um imp√©rio de viol√™ncia, guerras e terror. Cortado pelo rio Nilo Branco, o pa√≠s √© cercado por montanhas, pelo deserto et√≠ope e pela densa vegeta√ß√£o da √Āfrica Central. Sua economia assenta-se principalmente no petr√≥leo, cujas reservas se concentram na regi√£o do Alto Nilo, uma das mais disputadas do pa√≠s. Por√©m, depois de tantos anos de guerras e conflitos, o Sud√£o do Sul chegou a um dos mais baixos √≠ndices de desenvolvimento do mundo: a expectativa de vida no pa√≠s √© de 42 anos, conforme relat√≥rio emitido pelo escrit√≥rio de Coordena√ß√£o de Assuntos Humanit√°rios das Na√ß√Ķes Unidas - OCHA. Uma jovem na√ß√£o, ap√≥s sua independ√™ncia, em 2011, o Sud√£o do Sul se viu envolvido em mais uma guerra civil. No final de 2013, uma ruptura pol√≠tica entre o presidente e o vice-presidente do pa√≠s levou o Ex√©rcito Popular pela Liberta√ß√£o do Sud√£o do Sul, ligado √† presid√™ncia, a enfrentar grupos armados opositores espalhados por todo o pa√≠s, Este conflito estendeu-se at√© 2015 e, no meio dele, a popula√ß√£o civil ficou exposta a ambos os lados combatentes, tendo seus vilarejos incendiados, suas planta√ß√Ķes destru√≠das, al√©m de sofrer toda sorte de viola√ß√£o em seus direitos humanos. Em julho de 2016, o conflito no Sud√£o do Sul reacendeu-se e a popula√ß√£o novamente teve de fugir. Segundo estimativas da OCHA, desde mar√ßo deste ano, 1,7 milh√Ķes de refugiados sul-sudaneses emigraram para pa√≠ses vizinhos, como Uganda e Eti√≥pia, e cerca de 1,9 milh√Ķes est√£o em migra√ß√£o pelo pa√≠s. Diante deste cen√°rio de confrontos e de movimenta√ß√£o de milhares de pessoas em busca de seguran√ßa, nasceu um novo tipo de assentamento para migrantes, ou seja, deslocados internos do pa√≠s: s√£o os complexos de prote√ß√£o a civis localizados nas bases da Miss√£o da ONU no Sud√£o do Sul. E mesmo estas bases, preparadas para receber os migrantes, foram surpreendidas com os mais de 200 mil que chegaram, pois as condi√ß√Ķes de estrutura haviam sido pensadas para uma demanda infinitamente menor do que a atual e para um tempo de perman√™ncia tamb√©m bem menor. Na base de Malakal, por exemplo, vivem cerca de 30 mil migrantes. Ali, uma latrina √© dividida entre 50 pessoas e a popula√ß√£o vive com menos de 15 litros de √°gua por dia. E como esta popula√ß√£o vem de diferentes pontos do pa√≠s, os conflitos √©tnicos s√£o frequentes e levam muitos a abandonarem a base e migrarem para outros pontos, aumentando os problemas existentes. Infelizmente, pouco se sabe desta nefasta realidade que assola n√£o s√≥ os sudaneses do sul, mas in√ļmeros povos de pa√≠ses africanos. Segundo a OCHA, cerca de 5,7 milh√Ķes de pessoas precisam de ajuda humanit√°ria hoje e apenas 1,9 milh√Ķes delas t√™m acesso a alguma ajuda. √Č preciso que os governos do mundo parem de colocar milh√Ķes em armas e guerras e se prestem aux√≠lio a estes imigrantes e migrantes que sofrem e merecem respeito a seus direitos como seres humanos. (Fonte: Bol/ MSF)
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