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Veranópolis, domingo, dia 24 de Setembro de 2017
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EDITORIAL

Mais que ato social, justiça!

J√° ouvi pessoas dizerem que n√£o leem jornais porque eles trazem not√≠cias alarmantes, as quais, embora verdadeiras, serviriam para provocar mais viol√™ncia. N√£o sei at√© que ponto essas pessoas t√™m raz√£o ou n√£o. Prefiro pensar que informa√ß√Ķes brutas, assustadoras, por√©m reais, valem como alerta, al√©m de envergonhar quem se preocupa com a situa√ß√£o social do pa√≠s em que vive. Uma dessas not√≠cias dizia: ‚ÄúMetade das mortes de jovens no Brasil √© por assassinato‚ÄĚ. E completava: ‚ÄúS√£o mais de tr√™s casos por hora. S√≥ em 2015, aconteceram 31.264 homic√≠dios de jovens‚ÄĚ. Ali√°s, para completar o quadro da viol√™ncia e ajudar a situar a gravidade do fato, vale informar que se mata, no Brasil, em tr√™s semanas, mais do que todos os ataques terroristas somados, no mundo, nos primeiros cinco meses de 2017. Coisa Horrorosa e alarmante! O terrorismo est√° por aqui, bem perto da gente, pensei eu antes de ler o resto da mat√©ria que ocupava a p√°gina inteira de um dos principais di√°rios do Brasil. O estudo sobre o assunto indica as duas principais causas do fato: situa√ß√£o social degradante em que vivem milhares de fam√≠lias e defici√™ncias na educa√ß√£o b√°sica. Com um detalhe que n√£o pode ser esquecido, em se tratando de Brasil: de cada cem homic√≠dios, 71 s√£o de negros, uma vez que a popula√ß√£o negra √© a mais afetada pela viol√™ncia. N√£o exagero se disser que, para completar esse quadro degradante, muita gente chega a falar com naturalidade: ‚ÄúSe tais jovens morreram √© porque s√£o bandidos‚ÄĚ. Alto l√°! Esse tipo de rea√ß√£o n√£o leva a nada. Se temos consci√™ncia da gravidade do fato, de que metade das mortes dos jovens brasileiros se d√° por assassinatos, temos de denunciar esse tipo de conspira√ß√£o contra o futuro do nosso pa√≠s. Do contr√°rio, estamos concordando com a condena√ß√£o de crian√ßas e jovens a uma vida indigna, marcada por constantes restri√ß√Ķes materiais e pela falta de oportunidades educacionais e de trabalho. Voc√™ pode estar assustado e se perguntando sobre o que pode fazer. Por m√≠nimo que seja, pode, indico eu, e deve tratar de saber se ao seu redor, em sua cidade, faltam obras sociais nas periferias, faltam escolas. E isso porque seus governantes n√£o est√£o sens√≠veis aos problemas mais graves dos moradores e n√£o gastam o dinheiro p√ļblico em construir antes de enfeitar pra√ßas, jardins e centros √† disposi√ß√£o dos que j√° vivem seguros e satisfeitos. Cuidar do sofrido em primeiro lugar √© mais do que ato social e caritativo. √Č justi√ßa!‚ÄĚ O texto acima foi escrito pelo Padre C√®sar Moreira, na p√°gina Atualidades da Revista de Aparecida, e aborda um tema premente dos dias atuais que √© a viol√™ncia que atinge a popula√ß√£o mais jovem do Brasil. S√£o dezenas e dezenas de mortes diariamente, causadas, em primeiro lugar, segundo um estudo divulgado pela Organiza√ß√£o Mundial da Sa√ļde em maio √ļltimo, pela viol√™ncia interpessoal, que responde por 43% dos √≥bitos. S√£o assassinatos, agress√£o, brigas, bullying, viol√™ncia entre parceiros sexuais e abuso emocional. Ao lado dessa viol√™ncia disseminada est√£o os acidentes de tr√Ęnsito, tamb√©m causando a morte precoce de milhares de jovens. Ou seja, √© o futuro do pa√≠s, como bem destacou Moreira, sendo jogado fora de forma cont√≠nua e nefasta. Parece que √© urgente e necess√°rio tomar medidas para combater este mortic√≠nio desenfreado. Infelizmente, os governantes parecem n√£o se preocupar com isso, assim, cabe a cada cidad√£o cobrar e exigir medidas sociais e educativas para proteger os jovens. Eu, voc√™, todos n√≥s somos respons√°veis... √Č preciso agir e fazer justi√ßa!
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Edição N.º 1338
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